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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

BANHO DE CACHAÇA EM IMAGEM DE CRISTO EM MINAS

25 de Fevereiro de 2012 - 7h16
Jesus com cachaça Caeté mantém tradição de mais de 200 anos. Crença é de que preserva imagem contra cupins

Homens dão banho de cachaça em imagem de Cristo em Minas


Em silêncio absoluto e total sinal de respeito, os sete homens entram na igreja, em fila e carregando garrafas de aguardente, da mesma forma como fizeram os seus antepassados. Em poucos minutos, eles vão dar início a um ritual secreto de mais de 200 anos que marca a quarta-feira de cinzas no distrito colonial de Morro Vermelho, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Por Gustavo Werneck, no Estado de Minas


 A medida, conforme reza a tradição, é para evitar que a madeira se deteriore ao longo dos anos ou seja alvo dos cupins. Coincidência ou não, o fato é que essa é a única peça sacra da Matriz de Nossa Senhora de Nazareth ainda não atacada pelos insetos ou destruída pela ação do tempo.

A entrada no templo barroco, nesse momento, é proibida às mulheres – sempre foi assim e elas não reclamam, certas de que o costume deve ser mantido. O primeiro a chegar à porta da matriz, por volta de 12h50, é Antônio Itamar Vieira, conhecido como Gelatina, de 58 anos. Há 25 anos ele participa do misterioso ritual, que dura cerca de uma hora e até o instante em que Cristo é posto sob um andor com a cruz às costas. “Para nós, Jesus é um pai, então fazemos tudo com muito cuidado”, afirma Antônio Itamar, que trabalha como vendedor, tem quatro filhos e um neto.

A imagem tem 1,85m e é toda articulada. Tiras de couro fazem as ligações dos braços e pernas. Segundo o grupo, é a única do país que fica de pé no altar. Durante todo o ritual, favorecidos talvez pela atmosfera barroca da matriz e o dia nublado, há momentos muito simbólicos, que remetem aos séculos 18 e 19. Um deles é quando o aposentado Walter Estefânio, de 62, nascido e criado no distrito, tira a peruca de Cristo e vai passando a cabeleira para cada um, como se fosse uma irmandade. “É para dar boa sorte”, explica o paulista José Carlos Escalina Dias, de 62, que há cinco passou a fazer parte do grupo. “Tenho muita fé, isso é o mais importante. Na primeira vez, cheguei a arrepiar”, conta José Carlos, casado com Isabel, nascida em Morro Vermelho.

Assim que o Cristo desce do altar, é carregado por todos e imediatamente colocado sobre um pano roxo, dobrado. Depois, os pés são postos dentro de uma gamela de madeira. A cena vem sendo presenciada por Nildo Jesus Leal, de 70, desde quando ele tinha 18 anos, e sempre causa emoção. “Eu era menino e ficava olhando os mais velhos, pela fresta da porta, ansioso para chegar o dia em que poderia estar presente. O meu avô era um dos que davam o banho de cachaça no Cristo, mas meu pai, não. Quem me trouxe pela primeira vez foi o avô do meu amigo Toinzinho”, recorda-se Nildo. Ele abre os botões da veste de veludo roxo, dobra a roupa com cuidado, depois da veste de linho branco, deixando a imagem apenas com um tipo de anágua também imaculadamente branco e do mesmo tecido. Nildo conta que as roupas serão enviadas para lavar e, agora, substituídas por outras limpas.

De acordo com informações da Arquidiocese de Belo Horizonte, à qual a Matriz de Nossa Senhora de Nazareth está ligada, o ritual é de responsabilidade dos leigos e só tem participação deles, sem a presença de integrantes da Cúria, padre ou outros religiosos.

Água Benta

Cada participante pega a sua garrafa, umas de plástico, outras de vidro, e começa a despejar a cachaça, com movimentos suaves, com as mãos, na cabeça, nos braços, pernas e pés. O líquido que escorre será recolhido e aproveitado em diversas ocasiões, diz o pedreiro Antônio Lopes, de 51, o Toinzinho. “Serve para curar feridas e ajudar os enfermos. Da mesma forma, as roupas recém-retiradas do santo podem ser usados por quem estiver doente”, revela Toinzinho, para quem o ritual tem um ar de mistério. O sineiro Sudário José Leal, de 74, é outro que já viu décadas e décadas desse ritual, e não se cansa. “É nossa história”, resume. No momento em que a pinga escorre, Antônio Agostinho dos Reis, com seriedade, aponta os pingos: “Pode pegar um pouco que é benta”.

A etapa seguinte é enxugar a imagem, nesse momento totalmente despida. Nildo veste as roupas limpas e, junto com os amigos, ergue a imagem sobre o andar. Durante toda a quaresma ele fica em destaque na matriz, saindo em procissão no Domingo de Ramos, dia em que, em Morro Vermelho, há o encontro entre Nossa Senhora e Jesus, e na cerimônia do descendimento da cruz e procissão do enterro, na sexta-feira da paixão.

Por volta das 14h, um grupo de mulheres aguarda o momento de entrar na igreja para fazer a limpeza. Elas não demonstram curiosidade pelo que se passa na nave central do templo. “É algo tão antigo, que a gente nem se importa”, diz a dona de casa Maria de Lourdes Xavier Lopes, de 58. “É tradição, então por que iria nos incomodar?”, pergunta Nilza Batista da Silva de 65. Ao lado, estão as amigas Vera Lúcia Madeira Pinto, de 49, Darlene Batista Pinheiro, de 42, e Gilda Lopes, de 61. “Acho que vou tomar um pouquinho dessa pinga hoje, mas me disseram que amarga”, diz Darlene, com bom humor.

Publicado no jornal Estado de Minas

PORTAL VERMELHO 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SANGRA O SUDÁRIO

SANGRA O SANTO SUDÁRIO
Dora Dimolitsas


a espada é o elo,
           esbarra nas distorções,
               fazem os abismos de Breton
                                 no caracol do rebento
não há lamentos
                       Microcefalia, cólera, massas profanas
                                           ( os impúberes-psíquicos )
         deixam expostos o brilho
                         dos olhos,
                                          nos ossos do crânio sagrado


FONTE: DORA DOMOLITSAS (Poesias Avulsas)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

DIA ESPECIAL

10 DE FEVEREIRO DE 2012 – DIA ESPECIAL
UM PROGRAMA DE GOVERNO
SALMO 101 (100) – Salmo de Davi

Vou cantar o amor e a justiça.
Para ti, Javé, eu quero tocar.
Vou andar na integridade:
Quando virá a mim?

Andarei de coração íntegro
dentro da minha casa.
Não colocarei uma coisa infame
diante do meus olhos.
Eu odeio quem pratica o mal;
esse  nunca se juntará a mim.
Longe de mim o coração pervertido.
Eu ignoro o perverso.

Quem difama seu próximo em segredo,
eu farei calar.
Olhar altivo e coração orgulhoso,
eu suportarei.
Meus olhos estão nos leais da terra,
Para que habitem comigo.
Quem anda no caminho dos íntegros,
este será o meu ministro.
Em minha casa não habitará
quem pratica fraudes.
E quem fala mentiras não permanecerá
Diante do meus olhos.
A cada manhã eu farei calar
todos os injustos da terra.
para extirpar da cidade de Javé
todos os malfeitores.

Formatação e Fotografia: Aparecido Donizetti Hernandez
Texto: Biblia

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O JUGO LEVE

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
O CRISTO CONSOLADOR

O JUGO LEVE

1.         Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós, e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas; porque meu jugo é suave e meu fardo é leve. (São Mateus, cap. XI. v.28, 29,30)

2. Todos os Sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele, ao contrário, que não espera nada depois desta vida, ou que duvida simplesmente, as aflições se abatem como todo seu peso, e nenhuma esperança vêm suavizar-lhe a amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: vinde a mim, todos vós que estais fatigado e eu vos aliviarei.
         Entretanto, Jesus coloca uma condição à sua assistência e à felicidade que promete aos aflitos: essa condição está na lei que ensina; seu jugo é a observação dessa lei; mas esse jugo é leve e essa lei é suave, uma vez que impõem por dever o amor e a caridade.

sábado, 15 de outubro de 2011

SEDE PERFEITOS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
SEDE PERFEITOS


Caracteres da perfeição – O homem de bem, - Os bons espíritas. – Parábola do Semeador. – Instruções dos Espíritos: O dever. – A virtude. – Os superiores e os inferiores no mundo. – Cuidar do corpo e do espírito.

CARACTERES DA PERFEIÇÃO

1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e que vos caluniam; porque se não amais senão aqueles que vos amam, que recompensa com isso tereis? Os públicanos1 não fazem também? E se vós não saudardes senão vossos irmãos, que fazei nisso mais que os outros? Os pagãos não o fazem também? Sede, pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito. (São Mateus, cap. V.v.44, 46, 47,48).
1. Não podiam servir de testemunhas ou juizes, sendo excluídos da sinagoga.  Aos olhos da comunidade judaica, essa desonra estendia-se até suas famílias. (fonte: NVI). No entanto nas suas atitudes relatadas nas escrituras fica explícita a disposição em arrependerem-se: alguns iam ao encontro de João Batista se batizavam.

2. Uma vez que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta máxima: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de se atingir a perfeição absoluta. Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela tornaria-se-lhe-ia igual, o que é inadmissível. Mas os homens aos quais Jesus se dirigia não teriam compreendido essas nuanças; ele se limitou a lhes apresentar um modelo e lhe disse para esforçarem por alcançá-lo.
         É preciso, pois, entender, por essas palavras, a perfeição relativa, aquela da qual a Humanidade é suscetível, e que mais à próxima da Divindade.  Em que consiste essa perfeição?  Jesus o disse: “amar os inimigos, fazer o bem àqueles que nos odeiam orar por aqueles que nos perseguem”. Ele mostra, assim, que a essência da perfeição é a caridade em sua mais larga acepção, porque ela implica a prática de todas as outras virtudes.
         Com efeito, observando-se os resultados de todos os vícios, e menos dos simples defeitos, se reconhecerá que não há nenhum que não altere, mais ou menos, o sentimento da caridade, pois todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que são sua negação; porque tudo o que superexcita o sentimento da personalidade, destrói, ou pelo menos enfraquece, os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. O amor ao próximo, levado até ao amor dos inimigos, não podendo se aliar com nenhum defeito contrário à caridade é por isso mesmo, sempre o indício de maior ou menor superioridade moral; de onde resulta que o grau da perfeição está na razão direta da extensão desse amor; por isso Jesus, depois de ter dado aos seus discípulos as regras da caridade naquilo que ela tem de mais sublime, lhes disse:
“Sede, pois perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito”.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS - I/III

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS
PARTE I


            14.  Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer meu óbolo1 para vos ajudar a marchar corajosamente no caminho do aprimoramento em que entrastes. Nós nos devemos uns aos outros; não é senão por uma união sincera e fraternal entre Espíritos e encarnados que a regeneração será possível.
            Vosso amor aos bens terrestres é um dos mais fortes entraves ao vosso adiantamento moral e espiritual; por esse apego à posse, suprimis vossas faculdades afetivas em as transportando sobre as coisas materiais. Sede sinceros; a fortuna dá uma felicidade sem mácula? Quando vossos cofres estão cheios, não há sempre um vazio no coração? No fundo desse cesto de flores não há sempre um réptil escondido? Compreendo que o homem que, por trabalho assíduo e honrado, ganhou a fortuna, experimente uma satisfação, de resto, bem justa; mas, dessa satisfação, muito natural e que Deus aprova, a um apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração, há distância; tão distante quanto da avareza sórdida à prodigalidade exagerada, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, santa e salutar virtude que ensina ao rico dar sem ostentação, para que o pobre receba sem baixeza.
            Que a fortuna venha de vossa família, ou que haveis ganho pelo vosso trabalho, há uma coisa que não deveis jamais esquecer: é que tudo vem de Deus e retorna a Deus. Nada vos pertence sobre a Terra, nem mesmo vosso pobre corpo: a morte dele vos despoja, como de todos os bens materiais; sois depositários e não proprietários, disso não vos enganeis; Deus vos emprestou, deveis restituir, e ele vos empresta com a condição de que o supérfluo, pelo manos, reverta para aqueles que não têm o necessário.
            Um dos vossos amigos vos empresta uma soma; por pouco que sejais honesto, tereis o escrúpulo de pagá-la, e lhe ficareis agradecido. Pois, bem, eis a posição de todo homem rico; Deus é amigo celeste que lhe empestou a riqueza; não pede para ele senão o amor e o reconhecimento, mas exige que a seu turno, o rico dê também aos pobres que são seus filhos tanto quanto ele.
            O bem que Deus vos confiou excita em vossos corações uma ardente e louca cobiça; haveis refletido, quando vos apegais imoderadamente a uma fortuna perecível e passageira como vós, que um dia virá em que devereis prestar contas ao Senhor do que vem dele? Esqueceis que, pela riqueza, estais revestidos do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra para dela serdes os dispensadores inteligentes? Que sois, pois, quando usais em vosso único proveito daquilo que vos foi confiado, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário de vossos deveres? A morte inflexível, inexorável, vem rasgar o véu sob o qual vos escondíeis, e vos força a prestar contas ao amigo que vos havia ajudado, e que, nesse momento, se reveste para vós, com a toga de juiz.
1.      Óbolo (em grego antigo: ὀβολός, plural ὀβολοί - obolós, pl. oboloí) foi uma moeda de menor valor (sexta parte de uma dracma) na Grécia Antiga.
Era costume grego colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar ficaria forçosamente na margem do Aqueronte para toda a eternidade, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos.
Hoje, um óbulo é tratado como uma pequena contribuição em dinheiro.

Óbolo com retrato de Demétrio I, Báctria.
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93bolo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS - II/III

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS
Parte II/III

         È em vão que na Terra, procurais vos iludir, colorindo egoísmo; que chamais economia e previdência o não é senão cupidez e avareza, ou generosidade o que não é senão prodigalidade em vosso proveito. Um pai de família, por exemplo, se absterá de fazer a caridade, economizará, amontoará ouro sobre ouro, e isso, diz ele, para deixar aos seus filhos o máximo de bens possível e lhe evitar cair na miséria; é muito justo e paternal, convenho, e não se pode censurá-lo por isso; mas está aí sempre o único móvel que guia? Não é frequentemente, um compromisso com sua consciência para justificar, aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo, seu apego pessoal aos bens terrestres?
Entretanto, admito que o amor paternal seja seu único móvel; é um motivo para esquecer seus irmãos diante de Deus? Quando ele mesmo já tem o supérfluo, deixará seus filhos na miséria porque terão um pouco menos desse supérfluo? Não é lhes dar lição de egoísmo e endurecer seus corações? Não é sufocar neles o amor ao próximo? Pais e mães estais em grande erro se credes com isso aumentar a afeição de vossos filhos por vós; em lhes ensinando a ser egoísmo para com os outros, os ensinais a sê-lo para com vós mesmos.
         Quando um homem trabalhou bastante, e com suor de seu rosto amontoou bens, vós o ouvis, frequentemente dizer que quando o dinheiro é ganho se lhe conhece melhor o valor; nada é mais verdadeiro; Pois bem! Que esse homem que confessa conhecer todo o valor do dinheiro, faça a caridade segundo seus meios, e terá mais mérito do que aquele que, nascido na abundância, ignora as rudes fadigas do trabalho. Mas se, ao contrário, esse mesmo homem, que lembra suas penas, seus trabalhos, for egoísta, duro para com os pobres, é bem mais culpado do que os outros; porque, quanto mais se conhece por si mesmo as dores ocultas da miséria, mais se deve procurar aliviá-las nos outros.
         Infelizmente, há sempre no homem de posses um sentimento tão forte que o apega à fortuna: é o orgulho. Não é raro ver-se o felizardo atordoar o infeliz que implora sua assistência com o relato de seus trabalhos e de sua habilidade, em lugar de vir ajudá-lo, e acabando por dizer: “Faça o que fiz”. Segundo ele, a bondade de Deus nada tem em sua fortuna; só a ele o mérito; seu orgulho coloca-lhe uma venda nos olhos e lhes tapa os ouvidos; não compreende que, com toda a sua inteligência e sua habilidade, Deus pode derrubá-lo com uma só palavra.