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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS III/III

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS
PARTE III/III

         Esbanjar a fortuna não é desapego aos bens terrenos, mas negligência e indiferença; o homem, depositário desses bens, não tem mais o direito de dilapidá-los ou de confiscá-los em seu proveito; a prodigalidade não é generosidade, mas, frequentemente, uma forma de egoísmo; aquele que atira ouro a mancheias para satisfazer uma fantasia, não daria uma moeda para prestar serviço.
O desapego aos bens terrenos consiste em apreciar a fortuna pelo seu justo valor, sem saber servir-se dela para outros e não só a si, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, a perdê-la sem murmurar se apraz a Deus vo-la retirar. Se, por reveses imprevistos, vos tornardes outro Job, dizei como ele: “Senhor, vós ma havíeis dado, vós ma haveis tirado; que seja feita a vossa vontade”. Eis o verdadeiro desapego. Sede submissos primeiro; tende fé naquele que vos tendo dado e tirado, pode vos restituir; resisti com coragem ao abatimento, ao desespero que paralisam vossa força; não olvideis jamais, quando Deus vos atingir, que ao lado da maior prova, coloca-o sempre uma consolação. Mas pensai, sobretudo, que há bens infinitamente mais precioso que os da Terra e esse pensamento vos ajudarão a vos desapegar destes últimos. O pouco valor que se atribui a uma coisa faz com que menos sensível seja a sua perda. O homem que se apega aos bens da Terra é como a criança que não vê senão o momento presente; aquele que eles não se prendem é como o adulto que vê as coisas mais importantes, porque compreende estas palavras proféticas do Salvador: Meu reino não é deste mundo.
            O Senhor não ordena abdicar do que se possui, para se reduzir a uma mendicidade voluntária, e tornar-se uma carga para a sociedade; agir assim seria compreender mal o desapego dos bens terrestres; é um egoísmo de outro gênero, porque é se isentar da responsabilidade de que a fortuna a quem lhe parece bom para geri-la em proveito de todos; o rico tem, pois, uma missão que pode tornar bela e proveitosa para ele; rejeitar a fortuna quando Deus vo-la dá, é renunciar ao benefício do bem que se pode fazer em administrando-a com sabedoria. Saber passar sem ela quando não a tem, souber empregá-la utilmente quando a possui, souber sacrificá-la quando isso é necessário, é agir segundo os desígnios do Senhor. Aquele a quem chegue o que se chama de mundo uma boa fortuna, diga a si mesmo: Meu Deus, vós me enviastes um novo encargo, dai-me a força de cumpri-lo segundo a vossa santa vontade.
         Eis, meus amigos, o que eu queria vos ensinar quanto ao desapego aos bens terrestres; resumirei, dizendo: Sabei vos contentar com pouco. Se fordes pobres, não invejeis os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade; se sois ricos, não olvideis que esses bens vos estão confiados, e que devereis justificar seu emprego, como sendo tutores. Não sejais depositários infiéis, fazendo-os servir à satisfação do vosso orgulho e da vossa sensualidade; não vos creiais no direito de dispor, unicamente para vós, daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituir, não tendes o direito de pedir, e lembrai-vos de que dá aos pobres se quita da dívida que contrai com Deus. (LACORDAIRE, Constantina, 1863).
            15. O princípio segundo o qual o homem não é se não o depositário da fortuna que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmiti-la aos seus descendentes?



         O homem pode perfeitamente transmitir, depois de sua morte, do que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está sempre subordinado à vontade de Deus que pode, quando quiser, impedir sés descendentes de gozá-lo; é assim que se vê desmoronarem fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. A vontade do homem em manter sua fortuna na sua descendência é, pois, impotente, o que não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo que recebeu, uma vez que Deus o retirará quando julgar conveniente. (SÃO LUÍS, Paris, 1860).

domingo, 9 de outubro de 2011

MUITO SE PEDIRÁ ÀQUELE QUE MUITO RECEBEU

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
AQUELES QUE DIZEM: SENHOR! SENHOR! NÃO ENTRARÃO TODOS NO REINO DOS CÉUS.

Muito se pedirá àquele que muito recebeu.

         10.  O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado,
e não tiver feito o esperava dele, será batido rudemente;
 mas aquele que não soube sua vontade, e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àquele a quem se tiver muito dado, e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas. (São Paulo, cap.XII, v.47,48).

sábado, 8 de outubro de 2011

AO HOMEM, SENDO O DEPOSITÁRIO...

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS


         13. Ao homem, sendo o depositário, o gerente dos bens que Deus depositou em suas mãos, lhe será pedida severa conta do emprego que dele tiver em virtude de seu livre arbítrio. O mau emprego consiste em não fazê-los servir senão à satisfação pessoal; ao contrário, o emprego é bom todas as vezes que dele resulta um bem qualquer para outrem; o mérito é proporcional ao sacrifício que se impõe.
A beneficência não é senão um modo do emprego de fortuna; ela alivia a miséria atual: aquieta a fome, preserva do frio e dá asilo àquele que não o tem; mas um dever igualmente imperioso, igualmente meritório, consiste em prevenir a miséria; nisso, sobretudo, está a missão das grandes fortunas, pelos trabalhos de todos os gêneros que podem fazer executar; e devessem elas disso tirar um proveito legítimo, o bem não existiria menos, porque o trabalho desenvolve a inteligência e realça a dignidade do homem sempre confiante em poder dizer que ganhou o pão que come, ao passo que a esmola humilha e degrada. A fortuna concentrada numa só mão deve ser como uma fonte de água viva que derrama fecundidade e bem-estar em torno dela. Oh vós ricos! Se empregardes segundo os desígnios do Senhor, vosso coração, o primeiro, se saciará nessa fonte

Benfazeja; tereis nesta vida os inefáveis gozos da alma em lugar dos gozos materiais do egoísta, que deixaram o vazio no coração. Vosso nome será abençoado sobre a Terra, e quando a deixardes o soberano senhor vos dirigirá a palavra da parábola dos talentos: “Oh bom e fiel servidor, entrai no gozo do vosso Senhor”. Nessa parábola, o servidor que enterrou na terra o dinheiro que lhe foi confiado, não é a imagem dos avarentos entre as mãos dos quais a fortuna é improdutiva?

Se, entretanto, Jesus fala principalmente das esmolas, é porque naquele tempo e naquele país onde ele vivia, não se conheciam os trabalhos que as artes e a indústria criaram depois, e nos quais a fortuna pode ser empregada utilmente para o bem geral. A todos aqueles que podem dar, pouco ou muito, eu direi, pois: Daí esmola quando isso for necessário, mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a recebe, dela não se envergonhe. (FÉNELON, Alger, 1860)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

QUANDO CONSIDERO A BREVIDADE DA VIDA ...

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

EMPREGO DA FORTUNA


         12. Quando considero a brevidade da vida, fico dolorosamente impressionado pela incessante preocupação da qual o bem-estar material é para vós o objeto, ao passo que legais tão pouca importância e não consagrais senão pouco ou nenhum ao vosso aperfeiçoamento moral que deve vos ser contado para a eternidade. Crer-se-ia, ao ver a atividade que desdobrais que ela se prende a uma questão do mais alto interesse para a Humanidade, enquanto que não se trata, quase sempre, senão em vos esforçar para satisfazer necessidades exageradas, a vaidade, ou vos entregar aos excessos. Quando penas, cuidados e tormentos se inflige, quantas noites sem sono para aumentar uma fortuna, frequentemente, mais do que suficiente! Por cúmulo da cegueira, não é raro ver aqueles a quem um amor imoderado da fortuna e dos gozos que ela proporciona,
sujeita a um trabalho penoso, orgulhar-se de uma existência dita de sacrifícios e de mérito, como se trabalhassem para outros e não para si mesmos. Insensatos! Credes, pois, realmente, que vos será tido em conta os cuidados e os esforços dos quais o egoísmo, a cupidez ou o orgulho são móveis, enquanto que negligenciais o cuidado do vosso futuro, assim como os deveres da solidariedade fraternal impostos a todos os que gozam das vantagens da vida social! Não haveis pensado senão em vosso corpo; seu bem-estar, seus gozos foram o único objeto de vossa solicitude egoísta; por ele que morre, haveis negligenciado vosso Espírito que viverá sempre. Assim, esse senhor tão estimado e acariciado tornou-se vosso tirano; comanda vosso Espírito que se fez seu escravo, Estava aí o objetivo da existência, que Deus vos havia dado?
(UM ESPÍRITO PROTETOR, Cracóvia, 1861).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

EMPREGO DA FORTUNA

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Emprego da Fortuna



         11. Não podeis servir a Deus e Mamon1; retende bem isto, vós a quem o amor do ouro domina, vós que venderíeis vossa alma para possuir tesouros, porque eles podem vos elevar acima dos outros homens e vos dar alegrias das paixões; não, não podeis servir a Deus e a Mamon! Se, pois, sentis vossa alma dominada pelas cobiças da carne, apressai-vos em sacudir o jugo que vos oprime, porque Deus, justo e severo, vos dirá: Que fizeste dispenseiro infiel, dos bens que te confiei? Esse poderoso móvel das boas obras, não fizestes servir senão à tua satisfação pessoal.

         Qual é, pois, o melhor emprego da fortuna? Procurai nestas palavras: “Amai-vos uns aos outros”, a solução do problema; aí está o segredo de bem empregar as riquezas. Aquele que está animado de amor ao próximo, tem sua linha de conduta toda traçada; o emprego que apraz a Deus é o da caridade; não essa caridade fria e egoísta que consiste em derramar em torno de si o supérfluo de uma existência dourada, mas essa caridade cheia de amor que procura o infeliz que o reergue sem humilhá-lo, Rico, dá do teu supérfluo; faze melhor: dá do teu necessário, porque o teu necessário ainda é supérfluo, mas dá com sabedoria. Não repilas o queixume com medo de seres enganado, mas vai do mal; mas vai à fonte do mal; alivia primeiro, informa-te em seguida e vê se o trabalho, os conselhos, a afeição mesma não serão mais eficazes do que tua esmola. Espalha ao redor de ti, com bem-estar, o amor de Deus, o amor ao trabalho e o amor ao próximo. Coloca tuas riquezas sobre um capital que não te faltará jamais e te trará grandes interesses: as boas obras. A riqueza da inteligência deve te servir como a do ouro; espalha ao redor de ti os tesouros da instrução; espalha sobre os teus irmãos os tesouros do teu amor, e eles frutificarão. (CHEVERUS, Bordéus, 1861).

Nota:

 1 - Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Como ser, Mammon representa o terceiro pecado, a Ganância ou Avareza, também é um dos sete princípes do Inferno. Sua aparência é normalmente relacionada a um nobre de aparência deformada, que carrega um grande saco de moedas de ouro, e "suborna" os humanos para obter suas almas. Em outros casos é visto com uma espécie de passáro negro (semelhante ao Abutre), porém com dentes capazes de estraçalhar as almas humanas que comprara.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

OS BENS DA TERRA PERTENCEM A DEUS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
A VERDADEIRA PROPRIEDADE
Os Bens da Terra Pertencem a Deus.



10. Os bens da Terra pertencem a Deus, que os dispensa à sua vontade, e o homem deles não é senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente. Eles são tampouco a propriedade individual do homem, porque Deus, frequentemente, frustra todo as previsões, e a fortuna escapa daquele que crê possuí-la pelos melhores títulos.
Direis, talvez, que isso se compreende para a fortuna hereditária, mas que não ocorre o mesmo com aquela que se adquiriu pelo trabalho. Sem nenhuma dúvida, se há uma fortuna legítima, é esta, quando adquirida honestamente, porque uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, para possuí-la, não se fez mal a ninguém. Será pedida conta de uma moeda mal adquirida, em prejuízo de outrem. Mas o fato de um homem dever sua fortuna a si mesmo leva mais dela em morrendo? Os cuidados que ele toma em transmiti-la aos seus descendentes não são, frequentemente, supérfluos? Por que se Deus não quer que ela lhes cheque às mãos, nada poderá prevalece contra sua vontade. Pode usar e abusar em sua vida, sem ter contas a prestar? Não; em lhes permitindo adquiri-las. Deus pôde querer compensar nele, durante esta vida, seus esforços, sua coragem, sua perseverança; mas se não a fez servir senão à satisfação de seus sentidos ou seu orgulho; se fora para ele que não a possuísse; perde de um lado o que ganhou de outro, anulando o mérito do seu trabalho, e quando deixar a Terra, Deus lhe dirá que já recebeu a sua recompensa. (M. ESPÍRITO PROTETOR, Bruxelas, 1861).

sábado, 1 de outubro de 2011

A VERDADEIRA PROPRIEDADE

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A VERDADEIRA PROPRIEDADE



         9. O homem não possui de seu senão o que pode levar deste mundo. O que encontra ao chegar, e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na Terra; mas, uma vez que é forçado a abandoná-lo, dele não tem se não o gozo e não aposse real. Que possui ele, pois? Nada daquilo que é para uso do corpo, tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais; eis o que traz e que o se leva, o que não está no poder de ninguém lhe tirar, o que lhe servirá mais ainda no outro mundo do que neste; dele depende ser mais rico em sua partida do que neste; dele depende ser mais rico em sua partida do que em sua chegada, porque daquilo que tiver adquirido em bem depende sua posição futura. Quando um homem vai para um país longínquo, compõe sua bagagem de objetos usáveis no país; não se carrega daqueles que lhe seriam inúteis. Fazei, pois, o mesmo para a vida futura, e fazei provisão de tudo o que poderá nele servir.

         Ao viajor que chega a uma estalagem, se dá um belo alojamento se pode pagá-lo; àquele que pode pouca coisa, se dá um menos agradadável; quanto àquele que nada tem, vai deitar sobre a palha. Assim ocorre com o homem na sua chegada ao mundo dos Espíritos: seu lugar nele está subordinado ao que tem; mas não é com ouro que o paga. Não se lhe perguntará: Quanto tínheis sobre a Terra? Que posição nele ocupais? Éreis príncipe ou operário?  Mas, se lhe perguntará: O que dele trazeis? Não se computará o valor de seus bens nem dos seus títulos, mas a soma das suas virtudes; ora, a esse respeito, o operário pode ser mais rico que o príncipe. Em vão alegará que, antes da sua partida, pegou sua entrada com ouro e se lhe responderá: Os lugares aqui não se compram, eles se ganham pelo bem que se fez; com o dinheiro terrestre, haveis podido comprar campos, casas, palácios; aqui tudo se paga com as qualidades do coração. Sois rico dessas qualidades?

D. Dinis, 6.º Rei de Portugal
O Rei Mouro




Sede benvindo, e ide ao primeiro lugar onde todas as felicidades vos esperam; sois pobre? Ide ao último, onde sereis tratado em razão do que tendes. (PASCAL, Genebra, 1860).